10 de setembro de 2026

Saúde mental no serviço público: cuidar de quem cuida da sociedade é preservar vidas

 

O aumento dos casos de sofrimento psíquico entre servidores públicos acende um alerta para a necessidade da prevenção, acolhimento e cuidado com a saúde mental nos ambientes de trabalho. Relatos recentes de suicídios envolvendo servidores de diferentes órgãos públicos reforçam a urgência de discutir o tema com responsabilidade, sem tabus e, principalmente, sem culpabilizar as vítimas. Neste mês de setembro, é realizada a campanha Setembro Amarelo de combate ao suicídio.

No âmbito do Poder Judiciário da União (PJU), três servidores na Bahia morreram por suicídio, situação que também evidencia a necessidade de ampliar a atenção à saúde mental da categoria. Além disso, o próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconhece a existência de subnotificação de casos relacionados à saúde mental no Judiciário, o que dificulta a construção de diagnósticos precisos e de políticas públicas de prevenção.

No Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), dois casos de suicídio envolvendo servidoras em menos de um mês chamaram a atenção para as condições de saúde mental dos trabalhadores da administração pública. No Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o segmento também aparece entre os que registram elevado número de afastamentos relacionados a transtornos mentais.

Os números revelam um cenário preocupante

O CNJ instituiu, em 2015, a Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores, por meio da Resolução CNJ nº 207. Apesar disso, os dados do 2º Censo do Poder Judiciário, realizado em 2023, mostram a dimensão do problema: 47,9% dos servidores e servidoras relataram sofrer de ansiedade, 37,4% de estresse e 18,1% afirmaram fazer uso regular de medicamentos para tratar esses quadros.

Os números reforçam a necessidade de discutir não apenas o atendimento individual, mas também as condições de trabalho que podem contribuir para o adoecimento. Sobrecarga, déficit de servidores, cobrança excessiva por metas, ritmo intenso, falta de autonomia, insegurança e situações de assédio moral podem aumentar o sofrimento e comprometer a qualidade de vida dos trabalhadores.

Trabalho não pode ser sinônimo de adoecimento

Sindicatos e entidades, como o Sindjus-AL, representativas têm chamado a atenção para os impactos de modelos de gestão baseados em metas cada vez mais intensas, especialmente quando não são acompanhados de condições adequadas de trabalho e de mecanismos efetivos de proteção à saúde.

Por trás dos números, existem histórias e pessoas. E falar sobre suicídio exige cuidado. Nenhum caso pode ser reduzido a uma única causa. O sofrimento que leva uma pessoa a uma situação de crise é complexo e pode envolver diferentes fatores pessoais, sociais, familiares e profissionais.

Por isso, combater o adoecimento mental no trabalho também significa criar ambientes em que o servidor possa falar sobre suas dificuldades sem medo de julgamento, punição ou estigmatização.

Cuidar também é uma política de valorização

Para a melhoria da saúde dos servidores, é necessário ampliar o acesso à assistência psicológica e psiquiátrica, identificar precocemente situações de sofrimento, combater o assédio moral e sexual, reversão de práticas de gestão que produzam pressão excessiva, como as metas, e garantir ambientes de trabalho mais saudáveis e respeitosos.

Também é fundamental que colegas, gestores e familiares estejam atentos a mudanças de comportamento e sinais de sofrimento. Ouvir sem julgar, demonstrar preocupação e incentivar a busca por ajuda profissional podem ser atitudes importantes. Nenhum trabalhador deveria adoecer em silêncio. Nenhum servidor deveria chegar ao limite sem encontrar acolhimento e apoio.

Defender o serviço público também é defender a vida e a saúde de quem sustenta esse serviço todos os dias.

Procure ajuda
Se você ou alguém próximo estiver passando por uma situação de sofrimento emocional ou pensando em tirar a própria vida, procure ajuda. Você não precisa enfrentar esse momento sozinho.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuitamente pelo telefone 188, por 24 horas. Também é possível buscar atendimento pela rede pública de saúde, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou, em situações de urgência, procurar uma UPA ou acionar o Samu (192).

10 de setembro de 2026

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *