27 de fevereiro de 2024

Dia Mundial de Combate à LER/DORT, CSP-Conlutas realiza a Live Saúde e Segurança nos Locais de Trabalho

 

O 28 de fevereiro é Dia Mundial de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) que afetam músculos, nervos e tendões dos membros superiores e sobrecarregam o sistema musculoesquelético.

As LER/DORT decorrem da intensificação do trabalho, de atividades que exigem a execução de movimentos repetitivos, associados muitas vezes a esforços físicos e manutenção de determinada postura por tempo prolongado.

Acesse: Boletim LERDORT 2024

Live

Para tratar da saúde do trabalhador, a CSP-Conlutas realiza a Live Saúde e Segurança nos Locais de Trabalho e a Relação entre LER/DORT e Adoecimento Mental com Marta de Freitas (Engenheira do Trabalho e Coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador de Minas Gerais) e Sandra Moreira (Psicóloga, professora aposentada da UFPA e integrante do Setorial de Saúde e Segurança do Trabalho da CSP-Conlutas), no dia 28 de fevereiro, às 18 horas, pelos canais da CSP-Conlutas no Facebook e Instagram: @CSPConlutas.

Casos no Brasil

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou que no Brasil o número de afastamentos causados por doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo, inclusive LER/DORT, aumentou em 192%, de 16.211 para 31.167 casos entre 2020 a 2021. É preciso denunciar as péssimas condições de trabalho que provocam o adoecimento do trabalhador, físico e mental, a exemplo do excesso e ritmo acelerado de trabalho, condições insalubres e inadequadas, pressão e assédio psicológico, redução de direitos e das leis de defesa da saúde do trabalhador. Essas são as causas básicas das doenças de trabalho.

De 2006 a 2022, o maior número de notificações da síndrome no Brasil, segundo o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), foi entre trabalhadores de serviço doméstico, seguido de alimentadores de linha de produção e operadores de máquinas a vapor e utilidades. A lista é interminável: trabalhadores de teleatendimento, operadores de caixas, digitadores, escriturários, montadores de pequenas peças e componentes, trabalhadores de confecção de calçados, costureiros, telefonistas, passadeiras, cozinheiros e auxiliares de cozinha, trabalhadores de limpeza, auxiliares de odontologia, cortadores de cana, profissionais de controle de qualidade, operadores de máquinas e de terminais de computador, auxiliares e técnicos administrativos, auxiliares de contabilidade, pedreiros, bancários e trabalhadores da indústria entre outros.

Ainda assim, a subnotificação, o sucateamento do Ministério do Trabalho e a carência de estudos dificultam a obtenção de números atualizados da situação que com certeza são maiores do que os apresentados.

Sofrimento

As LER/DORT se caracterizam pela ocorrência de vários sintomas, de aparecimento quase sempre em estágio avançado, que ocorrem geralmente nos membros superiores, tais como dor, sensação de peso, formigamento, fisgadas, fraqueza muscular e fadiga. Algumas das principais são as lesões no ombro e as inflamações em articulações, como nos punhos, cotovelos, região cervical e lombar e nos tecidos que cobrem os tendões.

Costumam evoluir de forma lenta para quadros crônicos e nem sempre são percebidas precocemente pelos trabalhadores, que retardam a procura por auxílio com receio de repercussões negativas na empresa. O quadro é ainda agravado por situações de discriminação e assédio moral, que causam sofrimento e transtornos mentais, com grande impacto nas vidas dos trabalhadores e de suas famílias.

Adoecimento mental

As doenças ocupacionais têm relação direta com o adoecimento mental. “Existem uma relação explícita entre as lesões físicas e o sofrimento mental. Invariavelmente há a presença de adoecimento físico e mental. Os distúrbios emocionais no ambiente de trabalho podem se derivar da sobrecarga de trabalho, ambiente precarizado e assédio moral, ocasionando sentimento de frustração, desvalorização pessoal, insônia, perda ou aumento de apetite, ansiedade e depressão”, salienta a psicóloga Sandra Moreira, integrante do Setorial Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas.

Sandra lembra que em 2001, o Ministério do Trabalho observou que “em algum momento da evolução de LER/DORT, o paciente tem necessidade de apoio psicológico profissional”.

A psicóloga afirma que o adoecimento por LER repercute sobre o estado psíquico, e a percepção da maioria dos trabalhadores de que o trabalho é o desencadeador do sofrimento mental e este, por sua vez, favorece o adoecimento por LER. “Ou seja, formas de organização do trabalho autoritárias e exigentes com a produção favorecem tanto o sofrimento psíquico, como a ocorrência de distúrbios osteomusculares”, frisa.

Com informações do Ministério da Saúde, Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho e da CSP-Conlutas

27 de fevereiro de 2024

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