31 de dezembro de 2020

Basta de feminicídio: Seis mulheres são assassinadas no período do Natal no Brasil

Viviane Vieira do Amaral, de 45 anos, moradora de Niterói (RJ); Thalia Ferraz, 23, de Jaraguá do Sul (SC); Evelaine Aparecida Ricardo, 29, de Campo Largo (PR); Loni Priebe de Almeida, 74, de Ibarama (RS); Anna Paula Porfírio dos Santos, 45, de Recife (PE); e Aline Arns, 38, de Forquilhinha (SC). Seis mulheres tiveram suas vidas ceifadas no período do Natal no Brasil por feminicídio.

É alarmante o aumento da violência contra a mulher durante pandemia. Um quadro de horror e violência machista com resultados brutais. As condições de isolamento necessárias para conter o vírus exacerbaram o convívio de muitas mulheres e crianças com seus agressores e dificultaram os meios para buscar suporte ou escapar da violência.

Muitos dos feminicidas estão dentro da própria casa da vítima ou tiveram algum tipo de relação. São pais de família, companheiros, filhos, irmãos, amigos. Homens comuns que, muitas vezes, vemos praticando violências simbólicas. São homens com ciúmes excessivo, comportamentos machistas, que anulam suas próprias companheiras, gritam quando estão nervosos, fazem chantagem emocional e aterrorizam seus psicológicos.

“Mais uma vez ficamos estarrecidas com os casos chocantes de feminicídio que acompanhamos na última semana, sobretudo pelo grau de crueldade com que têm sido cometidos – dois deles na presença das filhas da vítima”, disse a integrante do MML (Movimento Mulheres em Luta) Fabiola Valdambrini.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública quase 90% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres assassinadas por ex-maridos, ex-companheiros ou ex-namorados.

De acordo com Rosália Fernandes, do Sindsaúde-RN, infelizmente, o feminicídio é uma violência enraizada, reforçada pelos discursos de ódio do governo Bolsonaro e de seus aliados. “Essas posturas conservadoras são reforçadas na sociedade, e possuem consequências muito concretas na vida das mulheres. O Brasil, que sempre esteve no topo da lista de países onde mais se agride e mata mulheres, tem visto esses dados aumentar”, lamenta.

As vítimas

Thalia Ferraz,23 anos, foi morta a tiros na noite do dia 25 de dezembro em frente aos seus familiares Jaraguá doSul, no Norte de Santa Catarina. O ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento.

A juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro foi assassinada pelo ex-marido com 16  facadas na Barra da Tijuca, na capital fluminense, pelo mesmo motivo. A três filhas do casal presenciaram o crime.

Evelaine Aparecida Ricardo, de 29 anos, morreu após ser baleada pelo namorado em Curitiba, Paraná, durante a ceia de Natal, no dia 25.

Loni Priebe de Almeida, de 74 anos, foi morta com um tiro na cabeça pelo ex-companheiro, que cometeu suicídio logo em seguida, em Linha Cascata, no interior de Ibarama, no Rio Grande do Sul.

Anna Paula Porfírio dos Santos, de 45 anos, foi assassinada a tiros pelo marido, dentro de casa e na frente da filha de 12 anos. Desta vez, o crime aconteceu em Recife, Pernambuco.

Aline Arns, de 38 anos, também morreu a tiros pelo ex-companheiro no interior da residência em Forquilhinha, Santa Catarina.

Todas mortas por serem mulheres. Prisioneiras da violência estrutural do machismo que mata e vai continuar matando até que o assunto seja debatido e combatido com a importância que se deve.

“Isso demonstra a flagrante banalização dos feminicídios e a falta de perspectiva para as mulheres, especialmente as mulheres pobres e negras que são as maiores vítimas”, reforça Fabíola, que lembra que muito da violência que sofrem as mulheres dessas camadas sociais não vem a público.

A CSP-Conlutas defende o repudio a toda e qualquer forma de violência contra a mulher e reitera a importância dos governos aplicarem políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Há ausência de segurança econômica, empregos dignos e com melhores remunerações, casas abrigo e sistema de saúde pública que ampare os casos de violência.

“O governo não investe em políticas públicas que garantam a segurança das mulheres. E é por isso que 2021 será um ano de muitas lutas, pela vida das mulheres, mas também para derrubar esse governo que não faz nada para garantir a nossa segurança e as nossas vidas”, reitera Fabíola, lembrando da necessidade do fortalecimento da luta por fora Bolsonaro e Mourão, já.

(Com informações: Sindsaúde-RN | Imagem site: jornal Extra )

31 de dezembro de 2020

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