6 de maio de 2019

Desembargador do TRT-RS revela que a classe trabalhadora precisa sair da cooptação das redes sociais para defender o trabalho

“A única coisa que produz riqueza no mundo é o trabalho das pessoas”, diz o desembargador Marcelo D’Ambroso

O desembargador do TRT-RS, Marcelo D’Ambroso, que palestrou na 13ª edição do Fórum Sindical Sul, destacando que se quebrar o poder aquisitivo da classe trabalhadora, quebrará a classe média nacional, a indústria e o empresarial nacional. Revelou ainda que o capital não produz nada. É improdutivo. “Quem produz riqueza no mundo é o trabalho”, diz. Veja a entrevista abaixo:

 

Por que o senhor defende o trabalho humano como direito humano?

É uma conquista da classe trabalhadora há séculos, que o trabalho é um direito humano, feito com derramamento de sangue ao longo da história, desde a Declaração da Filadélfia em 1944, no final da 2ª Guerra Mundial que diz que o trabalho não é uma mercadoria, é um valor internacionalmente reconhecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, na Convenção Americana de Direitos Humanos. Cada vez mais, essa realidade é inviabilizada. Ao povo, com o discurso contrário aos direitos humanos, como, na verdade, nações do chamado mundo desenvolvido ou primeiro mundo observam o direito ao trabalho como direito humano que é. Não é um contrato. Não é um direito de obrigações. Não é um direito privado. É um direito público. É um direito de engrandecimento da pessoa, de trabalhar e de ter respeito ao seu trabalho e de condições para desenvolvimento do trabalho. Na verdade, a única coisa que produz riqueza no mundo, hoje se pararmos para pensar é o trabalho das pessoas. Não é o capital. O capital não produz nada. O capital é improdutivo. Quem produz riqueza no mundo é o trabalho. É um direito humano.

 

O senhor defende que a classe trabalhadora precisa sair da bolha que está. O que o senhor quer dizer com isso em sua palestra?

Quero dizer que há uma cooptação massiva da classe trabalhadora, através de redes sociais, que são compradas pelo poder econômico, principalmente, de multinacional e interesses estrangeiros, que não são do Brasil, do nosso povo, mas que bombardeiam diariamente as pessoas com fake news, desconstruindo a história, dizendo que o golpe de 64, não foi golpe, que teria sido bom para o povo, que teria sido bom para a classe trabalhadora. Cooptando pessoas para acreditar que uma intervenção militar pudesse resolver o nosso problema. Desacreditar da política, dando condições para que se instaure aqui um regime militar fascista, como aconteceu na Itália e Alemanha em 1930 com Hitler. Isso não queremos. Temos que empoderar a classe trabalhadora para que ela tenha consciência, de que é ela que produz riqueza, que tem que ser valorizada. Ela tem direito sim, e não é culpada e nunca foi culpada de crise econômica, porque a crise econômica é típica do sistema capitalista. A crise acontece em tempo a tempo, e é previsível. É só lembrar porque a memória coletiva é curta. Em 2015, o Brasil tinha uma taxa de desemprego de 4,6%, que é a melhor da Alemanha atual e equivale ao pleno emprego. Encaminhava para ser a quinta economia do mundo. A CLT funcionava muito bem. O que mudou em dois anos para produzir uma necessidade de “deforma trabalhista” e de “deforma da previdência”. Um país que não mexeu em sua reserva monetária. Hoje, possui a oitava reserva monetária do mundo, que é um lastro de 400 bilhões de dólares, que pode usar em favor do seu povo, para desenvolver a infraestrutura, como ferrovia. As pessoas não discutem porque não temos ferrovia.  Toda a nação desenvolvida tem ferrovia para integrar pessoas, não só para sugar os nossos recursos naturais para fora. Toda essa misticidade por fake news, que tem o poder de desconstrução da história, vindo de vários movimentos nas redes sociais, e as pessoas não abrem um livro para ler. Elas se instruem por propaganda enganosa. A classe trabalhadora passa a querer o mal. Acreditar que temos menos direitos vai levar o Brasil para algum lugar? Absolutamente não. Vamos quebrar a classe média nacional, que se estruturou nos últimos anos. Vamos quebrar a indústria e o empresarial nacional se quebrarmos o poder aquisitivo da classe trabalhadora. A classe trabalhadora tem reconhecida na legislação e nas convenções internacionais direitos mínimos. E esses mínimos jamais podem ser rebaixados, porque eles já são, como a palavra diz: mínimo.

 

Diante dos ataques à classe trabalhadora, há ameaça de um fascismo no Brasil?

De certo modo, já estamos vivendo em um regime fascista, quando temos propagandeado a escola sem partido, quando temos patrulhamento ideológico em instituição e em escola. Como temos vistos nas notícias. De certa forma, está se encaminhando para um certo fundamentalismo religioso. Temos a separação de estados e da religião, cada qual tem direito para processar sua fé, mas isso não tem que se misturar com o estado. Jesus já dizia: a César o que é de Cesar; dizendo que os interesses de organizações de uma sociedade são diferentes da fé. Hoje há uma mistura, uma cooptação das pessoas em torno de um slogan: Deus, pátria e família que é herança da ditadura, que não atende os interesses do povo. Ninguém é contra Deus, pátria e família na verdade. O que isso diz para a classe trabalhadora? Nada. É um slogan sem conteúdo. Mas isso ilude a classe trabalhadora para que ela deseje menos direitos. Para que ela desacredite da política e queira desejar uma intervenção militar ou um golpe, acreditando que um regime de força vá salvar o Brasil. Isso vai nos pôr no buraco. Temos que se preocupar com isso. Tirar as pessoas dessa bolha, na qual são bombardeada diariamente, ou dizer, que é a deforma da Previdência é necessária. É necessária cobrar dos grandes devedores da Previdência. E para as pessoas pensarem por que foi decretado sigilo nas informações que embasaram a deforma da Previdência? Por que o povo não pode saber?

 

6 de maio de 2019

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